Tom Ford, o arquiteto que se transformou em estilista e revolucionou a Gucci e a YSL

O estilista norte-americano conhecido por ter o toque de midas faz 57 anos. No mês em que comemora o seu aniversário damos-lhe a conhecer o percurso profissional de Tom Ford.

1. Um miúdo do Texas que sonhava ser estrela de cinema

Thomas Carlyle Ford nasceu em Austin, Texas, mas passou grande parte da sua infância em Santa Fé, Novo México. Desde muito novo que sentiu uma grande atração pelo mundo da moda e se em casa, os pais aceitavam os seus gostos e interesses, na escola o cenário era outro. O facto de não ter jeito para desportos coletivos, como era o caso do futebol, e até a maneira como se vestia, fez com que fosse vítima de bullying durante a infância. A avó, Ruth, que se tornaria numa das suas musas e viria a inspirar uma das coleções que desenhou para a Yves Saint Laurent, foi uma das primeiras pessoas a incentivar esta sua paixão.

“A minha avó gostava muito de moda. Era algo que partilhávamos. Estava sempre entusiasmado por estar com ela e depressa percebeu que éramos almas-gémeas. Estava sempre a comprar-me roupas e a encorajar-me nessa direção”, disse durante a “The Jess Cagle Interview” em 2016.

Para além da moda, Tom Ford sempre foi fascinado pela sétima arte, uma fascinação que fez com que desistisse do curso de História de Arte que estava a tirar na New York University para se tornar numa estrela de cinema.

Apesar de ter aparecido em diversos anúncios publicitários durante a sua juventude, Ford acabou por chegar à conclusão de que o seu futuro não passaria pela carreira de ator ou modelo e que deveria regressar aos estudos. “Rapidamente percebi que não estava confortável em frente às câmaras. Odiava. Estava muito consciente de mim mesmo. Não me soltava. E nunca ia ser um bom ator”, referiu.

Após frequentar a Parsons School of Design, onde concluiu a licenciatura em Design de Arquitetura, decidiu montar o seu próprio portefólio e apostar numa carreira no mundo da moda. Cathy Hardwick e Perry Ellis foram os dois estilistas com quem trabalhou antes de conseguir aquele que, para muitos jovens designers, é visto como o emprego de uma vida: trabalhar para a Gucci.

2. Anos de ouro: Gucci e Yves Saint Laurent

É em 1990 que Tom Ford se muda para Milão, em Itália, e começa a trabalhar naquele que se viria a tornar num dos maiores projetos da sua carreira: revolucionar e revitalizar a casa Gucci.

No espaço de quatro anos passa de diretor de design da marca a diretor criativo do Gucci Group que, até então, estava à beira da falência. É a partir desta altura que o estilista assume a responsabilidade de “desenhar toda a linha de produtos da Gucci, da roupa aos perfumes, e pela imagem corporativa, campanhas publicitárias e design das lojas do grupo”, pode ler-se no seu site oficial.

O ano 2000 torna-se determinante no seu percurso ao ser nomeado diretor criativo e de comunicação da Yves Saint Laurent, marca que atualmente é controlada pelo grupo Kering. De acordo com o jornal The Guardian, os 14 anos em que acumulou funções na Gucci e na YSL ficaram marcados pelo lançamento de peças que são ícones da marca – como é a famosa mala ‘Jackie O’ criada em tributo a Jaqueline Kennedy Onassis - e pelas campanhas publicitárias provocadoras e de cariz sexual, que hoje se tornaram numa imagem de marca do estilista norte-americano.

A publicidade ao perfume Opium da YSL é um dos casos mais polémicos e mais mediáticos. De acordo com o Advertising Standards Authority, o anúncio protagonizado pela modelo Sophie Dahl no ano 2000, no qual aparece completamente nua, está entre os que mais queixas recebeu.