5 dicas médicas para ajudar uma criança com bronquiolite aguda

As explicações são do Professor Pedro Flores, médico pediatra responsável da Pneumologia Pediátrica do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

A bronquiolite aguda é uma infecção das vias aéreas inferiores mais estreitas (bronquíolos), que atinge crianças com idade inferior a 2 anos. É mais frequente, no  hemisfério Norte, entre os meses de Outubro a Abril. A cada inverno, uma a cada três crianças com menos de 2 anos sofrem bronquiolite aguda e, destas, 10% são internadas.

A doença é provocada por vários tipos de vírus, sendo o mais frequente o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Inicia-se por um período de 2 a 3 dias com sintomas de envolvimento das vias aéreas superiores, nomeadamente tosse, nariz entupido e secreções nasais. Após esse período, verifica-se um agravamento, em que os pais notam que a criança tem uma respiração rápida e ofegante, com retracção dos espaços entre as costelas e aparecimento de “covinhas” no pescoço, a cada movimento respiratório. Nesses dias, pode também ser audível um assobio agudo no peito, descrito como pieira, chiadeira ou “gatinhos”. Pode ocorrer febre. Frequentemente, as crianças estão mais sonolentas ou irritadas, e têm dificuldade em se alimentar. Após 3 a 4 dias, a criança começa a melhorar progressivamente da maioria destes sintomas, mas a tosse e a respiração ruidosa podem manter-se por várias semanas.

1. Como prevenir o contágio?

Sendo uma doença provocada por vírus, a criança é, habitualmente, contagiada por outras pessoas doentes, nomeadamente conviventes adultos crianças mais velhas. Os vírus responsáveis pela bronquiolite nos bebés causam, nesses indivíduos, quadros mais ligeiros, de constipação nasal ou faringite. Pessoas com esses sintomas devem evitar contactar com pequenos lactentes. Caso isso não seja possível, devem lavar bem as mãos e usar máscara de protecção respiratória. As crianças amamentadas ao peito têm maior resistência à bronquiolite aguda. O contacto com fumo de tabaco ou outros poluentes aumenta a sensibilidade a essa infecção. Não existe vacina mas alguns bebés muito prematuros ou com doenças cardíacas beneficiam de um tratamento preventivo com um anticorpo monoclonal dirigido ao VSR, que desempenha um papel semelhante a uma vacina.